“Maravilhoso o curso, que trouxe novas descobertas. Eu sou professora, mas vejo na piscicultura uma nova área de atuação profissional”. A afirmação é da professora Keianny Carvalho Rocha, da Casa Abrigo Casa de Meu Pai, de Pontezinha, em Santo Antônio do Descoberto, que participou do curso de Meio Ambiente e Aquicultura, promovido pela Corumbá Concessões, em parceria com o Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás).
De 22 a 24 de outubro, 18 participantes do curso aprenderam todas as etapas e técnicas de piscicultura em viveiro escavado, como preparação do tanque, análise, tratamento e renovação da água. A iniciativa visou, ainda, fortalecer e incentivar a participação individual, familiar e coletiva em atividades comunitárias; e promover a troca de experiências e a utilização de uma estrutura comum para explorar o potencial individual visando à geração de renda. O curso foi oferecido por um projeto de mitigação e compensação exigido pelo licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama.
Quebrando mitos
Logo na introdução dos trabalhos, o engenheiro de Aquicultura Fernando Malamud, instrutor do Senar Goiás que ministrou o curso, quebrou alguns mitos recorrentes sobre a piscicultura em tanque escavado, para mostrar que nem tudo o que se fala sobre a atividade é correto. Ele cita como exemplo a ideia que algumas pessoas têm, em relação à lâmina d´água, de que em um reservatório com uma área mais profunda caberia maior quantidade de peixes. Mas ao contrário, os peixes exigem área mais larga no sentido horizontal. Outro mito se refere ao tratamento dos peixes. “Para baixar o custo e aumentar a lucratividade, em vez de trabalhar única e exclusivamente com a ração, neste sistema de viveiro escavado a gente aumenta o grau de nutrientes da água, através de fertilizações, para conseguirmos que o peixe absorva parte desses nutrientes, entrando a ração como complemento e não como principal técnica”, explicou.
A piscicultura, segundo o instrutor, tem um grande potencial no agronegócio no Brasil. Em comparação com a cultura de gado de corte, Malamud explicou que numa área de um hectare (10 mil m²), podem ser produzidas, em tanques escavados, 16 toneladas de peixes (tilápia) a cada semestre, enquanto numa mesma área de bovinocultura, que exigem investimento bem mais alto, o produtor vai obter entre 2 e 3 anos, 2 toneladas de carne.
Segundo Fernando Malamud, a piscicultura tem um potencial maior ainda no Centro-Oeste, que dispõe de maior quantidade de água, temperatura favorável e outros recursos abundantes. Ele acredita que cerca de 50% dos participantes do curso irão levar a atividade em frente, de forma profissional.
Geração de renda
Keianny Rocha e o marido, Arquileu da Conceição, que leciona na mesma instituição, já têm cinco tanques de criação de tilápia e tambaqui e buscaram no curso mais conhecimentos. “Desenvolvemos esta atividade, até agora, sem conhecimentos técnicos, na cara e na coragem, e até agora tivemos mortalidade zero de peixes. Isso foi por sorte, pois aprendemos aqui no curso que não é preciso apenas dar ração para os peixes, como fazíamos, mas que o foco é trabalhar a qualidade da água”, explicou Arquileu.
Com novos conhecimentos na cabeça e planejamento na ponta do lápis, o casal pretende incrementar a atividade de criação de peixes, com a instalação de mais dois viveiros. A renda, segundo eles, será revertida para o abrigo. “Nós vamos buscar o envolvimento de outras pessoas interessadas para beneficiar toda a comunidade”, planejou.
Abel Pereira Rocha fez o curso pela segunda vez, com o mesmo instrutor. Ele disse que está retomando o entusiasmo pela atividade, depois de ter sofrido grande decepção, no ano passado, quando todos os seus peixes foram roubados, logo quando ia fechar a primeira venda. “Agora já aprendi técnicas de proteção e segurança da atividade e vou construir mais um tanque, com toda a garra”. Ele estima que terá uma margem de lucro de R$ 2 mil por mês.
Na avaliação da analista ambiental da Corumbá Concessões, Marinez de Castro, esta é uma atividade muito importante para que o pequeno produtor possa diversificar suas atividades de trabalho em sua propriedade. “Ficou claro neste curso que o uso das técnicas e do planejamento de maneira correta é fundamental para garantir o lucro e a sustentabilidade do manejo. A comunidade de Pontezinha tem muito interesse em cursos que podem aumentar a produtividade de forma sustentável, estão sempre buscando novas oportunidades, e neste ponto a parceria com o Senar é enriquecedora.”
FOTO: Participantes juntos à maquete de tanque escavado que eles construíram como prática do curso
Ana Guaranys
Assessora de Comunicação






Nenhum comentário:
Postar um comentário