Detido durante reintegração de posse, líder do MTST diz que prisão foi política

17.jan.2017 - Boulos foi detido e encaminhado para a 49ª DP

O coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, atribuiu nesta terça (17) a uma suposta ação "política" a prisão dele por parte da Polícia Militar. A ação ocorreu ao final de uma reintegração de posse em que cerca de 700 famílias foram despejadas de um terreno em São Mateus (zona leste de São Paulo) pela Tropa de Choque da PM.
A PM prendeu Boulos pelos crimes de incitação à violência e desobediência civil. Ele depôs durante cerca de meia hora ao delegado do 49º DP (São Mateus), mas, até as 12h, ainda não havia sido liberado.
"Foi uma prisão política, evidente. Eles alegam incitação à violência e despejam 700 famílias de forma violenta", avaliou. "Foi uma prisão descabida, depois que os fatos ocorreram, não houve nenhum flagrante. Atribuíram a mim fatos que não aconteceram", defendeu-se.
De acordo com Boulos, o MTST estava na reintegração "para garantir o direito das pessoas que estavam sendo despejadas".
"Tentamos construir uma saída negociada e pacífica. A Tropa de Choque avançou, jogou bombas e agora querem encontrar um culpado", explicou.
Em nota divulgada mais cedo sobre o caso, a Polícia Militar havia informado que atendeu o pedido para apoiar os oficiais de Justiça no cumprimento da reintegração de posse.
"Após tentativa de negociação dos oficiais com as famílias, sem acordo, os moradores resistiram hostilizando os PMs, arremessando pedras, tijolos, rojões e montando três barricadas com fogo. Um policial militar ficou ferido de leve por uma bomba caseira e duas viaturas do Choque foram danificadas", descreveu.
Segundo informações da Polícia Civil, José Ferreira Lima, integrante do MTST, também foi detido e encaminhado ao 49º DP (São Mateus).
Sobre a reintegração, o Ministério Público informou há pouco que entrou na semana passada com pedido de suspensão da ação de reintegração de posse porque as famílias não foram cadastradas para outras áreas de destino. O pedido foi negado ontem (16) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em julho do ano passado, o MP já tinha pedido o cadastramento das famílias, mas a justiça não aceitou na época.
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