Kriptacoin: organização mandava áudios com promessas e ameaças aos investidores; ouça



A organização criminosa da Kriptacoin que usava a promessa de dinheiro fácil costumava mandar áudios com possibilidades e ameaças aos aplicadores. A investigação da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor e Fraudes (Corf) em parceria com a Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos do Consumidor (Prodecon) do Ministério Público do Distrito Federal, que levou 11 pessoas à prisão, descobriu que o grupo indicava ampliação da moeda para o mercado internacional como forma de convencimento. Em áudio, o presidente Welbert Richard dizia que a negociação estava certa.

“Por enquanto as pessoas estão vendendo as moedas para o cenário brasileiro. Já já teremos o cenário internacional. Em agosto já está prevista uma demanda de mais ou menos quatro milhões de moedas. Não existe esse número de moedas mineradas que os russos querem. E, pela negociação já feita, eles vão pagar entre R$ 30 e R$ 50. Então quem quiser vender a moeda, que venda. Lá na frente sabe o que eu vou fazer? Apenas sorrir”, afirmou o suspeito, que se identificou como correspondente da América Latina em áudio obtido pelo Jornal de Brasília.
Com promessas e ameaças às vezes não tão veladas, Richard tentava convencer os aplicadores de que o negócio era lucrativo, certo e com possibilidades reais de enriquecimento. “Em agosto teremos um ciclo de valorização econômica. A empresa deixa de vender os moedas dela para vender só o da turma para esse cenário internacional que paga melhor que esses brasileiros especuladores”, garantiu. Assim, desencorajava a venda das moedas: “se você tem algo para vender, é a bicicleta do jardim, o carro, que são passivos”.
Riqueza
De acordo com os investigadores, o grupo tinha o único objetivo de enriquecer. Alguns deles, praticariam golpes há mais de 15 anos. Nas redes sociais, Richard ostentava uma vida de luxo e tentava convencer mais aplicadores a entrarem no esquema. Em áudio, ele dizia que entendia o valor da riqueza e sabia como ficar rico.“Primeiro aspecto da riqueza: investir em ativos. Principalmente como o nosso que se valorizou 2.000%”, valorizava.
“Quem me vê comprando um avião, comprando helicóptero, e quem me vê também cumprindo a minha missão que não é só acumular riqueza, mas ter aspectos nobres, como Bill Gates sempre o faz”, sugeriu. De acordo com ele, ele abriria uma entidade em prol do câncer objetivando chegar à Forbes, revista estadunidense de negócios e economia que publica uma lista de pessoas mais influentes no mundo.
Golpe
As atividades do grupo começaram em janeiro de 2017. Pessoas eram induzidas a aplicar o seu dinheiro na moeda virtual com a promessa de 1% de lucro ao dia. Como forma de convencimento, os envolvidos promoviam festas de música eletrônica e ostentavam carros de luxo, além disso, falavam que, em até seis meses, os investidores teriam ganhado R$ 1 milhão. No início, era possível o saque de qualquer quantia, depois, a empresa permitia saques no limite de R$ 600. Com o tempo, as vítimas tiveram dificuldades para resgatar o dinheiro aplicado, inclusive com coações e ameaças.
As fraudes podem gerar prejuízo a 40 mil investidores e podem ter movimentado cerca de R$ 250 milhões. Apenas no Distrito Federal, a estimativa é que 12 mil pessoas tenham sido lesadas. Muitas vítimas venderam carros e imóveis para aplicar o dinheiro na Kriptacoin. Investidores podem ficar no prejuízo. Os bens dos grupos foram confiscados e podem ser usados para ressarcir parte dos lesados, mas não deve ser suficiente para que todos os envolvidos recebam o investimento perdido.
O grupo é investigado por suposto esquema de organização criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documentos falsos e por crime de pirâmide financeira. Segundo as investigações, as fraudes podem gerar prejuízo a 40 mil investidores, que eram convencidos a aplicar dinheiro na moeda digital. A organização criminosa atuava por meio de laranjas, com nomes e documentos falsos. De acordo com a Polícia Civil, os integrantes do grupo criminoso são investigados desde março.

Fonte: Jornal de Brasilia
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