Operação Caronte: três envolvidos na máfia das funerárias estão foragidos

Breno Esaki/Jornal de Brasília

A Polícia Civil do DF procura por três foragidos ligados a uma empresa de Samambaia. O grupo é alvo da Operação Caronte, deflagrada na manhã desta quinta-feira (26), para desarticular a organização criminosa envolvida em esquema que ludibriava famílias de vítimas de morte aparentemente natural. Foram cumpridos nove mandados de prisão e 12 de busca e apreensão.
As investigações, conduzidas pela Divisão de Assuntos Internos (DAI) e pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), apontaram que donos de funerárias, agentes funerários, funcionários de hospitais e um médico participavam do esquema ilícito.


Os policiais descobriram que os suspeitos captavam sinais de rádio transceptor da polícia e colhiam dados sobre os locais das mortes aparentemente naturais. Com as informações, faziam contato com as famílias, fazendo-se passar por servidores de instituições públicas, como IML/PCDF, o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO/DF) e INCOR-DF.
Por meio dos contatos, os criminosos informavam sobre suposta parceria para atestarem o óbito fora do IML, alegando que o processo seria mais rápido e “menos doloroso”. Para completar o golpe, as funerárias retornavam para as famílias e confirmavam a informação, oferecendo serviço médico de atestado de óbito, bem como serviços funerários.
Ainda, de acordo com as investigações, as funerárias, com o apoio de funcionários de hospitais públicos, informavam diretamente aos criminosos sobre a morte ocorrida em hospitais, antes mesmo de passar pela polícia. As mortes eram então atestadas falsamente por um médico ligado à associação criminosa, que sequer examinava os cadáveres pessoalmente.
Caronte
Na mitologia grega, Caronte é o barqueiro do Hades, que carrega as almas dos recém-mortos sobre as águas dos rios Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Uma moeda para pagá-los pelo trajeto, geralmente um óbolo ou dânaca, era por vezes colocado dentro ou sobre a boca dos cadáveres, de acordo com a tradição funerária da Grécia Antiga. Segundo alguns autores, aqueles que não tinham condições de pagar a quantia ou os corpos não haviam sido enterrados, tinham de vagar pelas margens por cem anos.

Fonte: Jornal de Brasília
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